sábado, 25 de outubro de 2008

O oceano mágico




Como pode algo tão simples ser tão complexo? Para aqueles que apenas vêem e não observam, o oceano é apenas uma imensa quantidade de água, sem nenhuma utilidade. No entanto, para a pequena parte que observa em vez de ver, o oceano é muito mais. À superfície, é uma imensidão de azul que nos enche de energia e nos acalma ao mesmo tempo. Dá-nos vontade de voar apenas para que possamos deslizar sobre a água, sem nos afundarmos. É ele que nos anima quando estamos em baixo e nos dá força para continuar.


Abaixo da superfície, no fundo do oceano, encontramos um tesouro escondido a cada passo que damos. Tornamo-nos exploradores para que possamos desvendar todos os seus mistérios. E quando pensamos que já descobrimos tudo, descobrimos mais algum segredo nunca antes visto.


É essa a magia do oceano.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

O mar levou-te...

Vieste num dia solarengo ter comigo, a tua presença e o calor do teu olhar bastaram para eu largar um sorriso. Não dissemos uma palavra, mas a tua mão na minha fez com que páginas e páginas de palavras fossem ditas, embora que em silêncio.
Prometeste que a tua ausência seria temporária. E o mar esteve sempre presente, quando me deste a mão, quando estivemos juntos e quando me largaste.
Guardo um ódio profundo ao mar. Ele que já te levou tantas vezes, mas sempre voltaste, como se fosses uma mensagem numa garrafa, com um sorriso ainda maior, ainda mais forte, com aquele brilho nos olhos. Eu não te queria largar nem por um dia, nem por um minuto ou segundo. Eu sempre tive a esperança que voltasses, e tu voltavas.
Agora foste, tal como a mensagem na garrafa e eu não sei o que aconteceu. Não sei se te encontras ao abrigo de outro porto ou se a tua garrafa se partiu. Apenas chegou o dia em que não voltaste, chegou o dia em que o mar te levou de vez.
Eu... Eu continuo na vã esperança de te reencontrar, na esperança que voltes e me tornes a dar a mão. Então, sento-me na areia, toco com os pés na água fria e sinto a temperatura do meu ódio pelo mar a invadir o meu interior. Olho para o horizonte e penso em ti, choro porque não voltaste e grito desesperadamente ainda que seja no meu interior.
Passeio na praia, os pequenos grãos de areia entre os meus dedos dos pés, a brisa do mar, o sentimento de liberdade, aí podia fazer tudo. Olho para o sol, para o mar, rebolo na areia, deito-me e olho para o céu, percebo que estarás sempre comigo, mas, não da forma que eu desejava, não da forma que eu quero.
Quero que voltes, não importa como, desde que me abraces assim que me vires.
Continuo a olhar para o mar, a sua imensidão é tão impressionante quanto a vastidão dos sentimentos no meu interior. Sinto tanto a tua falta! Sinto tanto a falta do teu sorriso, do teu olhar! E há momentos em que tenho mais saudades que aquelas que possas imaginar, parece que regressas e inundas o meu olhar, mas tudo não passou de uma miragem.
O mar levou-te e eu continuo na esperança que ele te traga. Ainda que não acredite no mar, acredito em ti.
Se voltares, não vou deixar que seja o mar a levar-te novamente...
Sara Malheiro