quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Entrevista a Luís Filipe Rocha






Luís Filipe Rocha é um conceituado cineasta português. Licenciou-se em Direito pela Universidade de Lisboa, mas, por volta de 1974, iniciou a actividade cinematográfica, realizando documentários relacionados com política. Até hoje, realizou vários filmes, entre eles Adeus Pai e Camarate, participando como actor noutros. Estivemos à conversa, em sua casa, no passado dia 12 de Novembro, onde fomos muito bem recebidos.

Sabemos que se licenciou em Direito, pela Universidade de Lisboa e só depois se dedicou ao cinema. O que é que o fez mudar de ideias? Trabalhar no mundo do teatro/cinema era um sonho de criança?

Luís Filipe Rocha: Não, eu acho que o sonho de criança, que grande parte dos adolescentes tem, foi de escrever. Pelos 12/13 anos comecei a gostar muito de ler, por consequência, comecei a ter o sonho de um dia ser escritor. Depois fui para Direito por escolha minha, mas no segundo ano da faculdade descobri que me tinha enganado, porque fui assistindo a vários julgamentos nos tribunais e vi que tudo aquilo era uma “mentira pegada” e que era mau teatro. Então, teatro por teatro, prefiro o bom. Entretanto, na faculdade, comecei a fazer teatro como actor e assistente de direcção, no Grupo Cénico de Direito e, em 1970, fui convidado para participar no filme O Recado, onde descobri o mundo do cinema. Quando me exilei no Brasil, o teatro foi o meu modo de subsistência e, ao mesmo tempo, tinha a vontade de realizar um filme. Depois do 25 de Abril, ao voltar para Portugal, decidi-me finalmente pelo cinema. Esta decisão foi muito atrevida, porque comecei por pura curiosidade e vontade de experimentar, com a certeza de que não passaria disso mesmo, uma experiência.

Sabemos que viveu parte da sua vida no Brasil e em Macau. De que forma é que as experiências que adquiriu nesses locais influenciam os filmes que realiza hoje?

LFR: Não penso que nem uma coisa nem outra influenciem directamente o que quer que seja. A minha experiência em Macau é claro que influenciou profundamente um filme chamado Amor e Dedinhos de Pé (uma adaptação de um romance de um escritor macaense) que é um filme meu, rodado integralmente em Macau. Esse filme foi muito influenciado pelas minhas experiências e pelo estudo que fiz da cultura chinesa. Mas o que influencia todos os filmes, de qualquer realizador, são as experiências de vida.

Na sua opinião, Portugal já tem espaço para filmes portugueses ou ainda há muito trabalho a fazer?

LFR: Não, Portugal não tem espaço para filmes portugueses por uma razão muito simples: o cinema é uma actividade artística e também industrial. E, como todas as actividades industriais, tem de ter mercado. Ninguém fabrica sapatos para ficarem nas fábricas. O cinema português não tem viabilidade nenhuma do ponto de vista comercial. Eu costumo sempre dizer que não existe cinema português, existem sim filmes portugueses feitos por realizadores portugueses, porque o estado não subsidia esta actividade.

De todos os filmes que realizou, qual é que pensa que teve maior impacto na sociedade portuguesa?

LFR: É muito difícil responder, mas é uma pergunta curiosa. Eu penso que foi o Adeus Pai, não por ter sido o meu filme com mais espectadores, mas por eu ter percebido, quando o filme saiu, que era um tema que tocava muita gente. Para mim foi uma coisa inimaginável porque, confesso, foi o produtor que me pediu que fizesse um filme de baixíssimo orçamento, uma vez que veio no decorrer da rodagem de um outro filme meu, Sinais de Fogo. Só depois de visitar várias escolas e de estar com o público é que comecei a entender que muita gente se revia na situação que o filme descreve. Num outro sentido, há um outro filme meu, que era espectável pelo tema que abordou, Camarate.

Como é que surge a ideia de fazer um filme? É a partir de alguma frase ou notícia?

LFR: Durante muitos anos convenci-me que o ponto de partida de um filme podia ser qualquer coisa. Podia ser uma casa, uma história que contam, um sonho, uma experiência própria, um livro, como foi o caso de três ou quatro filmes meus, que são adaptações de romances. Penso que o ponto de partida, de facto, pode ser muito ocasional, casual. Pode-se partir de um local, de um actor, de uma história, de uma notícia de jornal, de uma memória. O problema depois está em como é que se põe de pé uma história. E aí sim, há que, do ponto de vista estritamente técnico, saber fazer as coisas e, do ponto vista poético e criativo, saber sustentar a narrativa a nível de personagens, progressão dramática, ambiência e construção narrativa.

Tem alguma fonte de inspiração? Por exemplo, uma música ou paisagem, que o ajuda a escrever?

LFR: Agora estou a pensar em começar a ler poesia e a ver fotografias... Mas a fonte de inspiração é uma coisa muito estranha, normalmente a única fonte de inspiração é a nossa cabeça e o nosso coração. Pode-se ter companhia. Por exemplo, eu às vezes gosto de ter música, outras vezes não. Às vezes gosto de ir ao cinema enquanto estou a escrever, mas outras nem pensar nisso. Mais do que uma fonte de inspiração, o que é preciso é disciplina. Não se consegue escrever um filme se não se tiver uma rigorosa disciplina, quase como um atleta de alta competição. Todos os dias é importante ter um horário para se sentar à frente do computador e escrever, mesmo sem inspiração, criar rotinas. É preciso isolamento, como que criar uma cápsula... O que verdadeiramente inspira é poder transportar-se, dia e noite, a história dentro de nós, de forma a que ela se vá construindo e revelando. Quando percebo que não consigo resolver um problema vou ler um policial, dar um mergulho à praia, é uma regra universal, não insistir quando as coisas não estão a fluir. Temos de regar a inspiração, fomentá-la, e não ficar sentados à espera.

À medida que escreve um argumento para um filme, tem logo em mente algum actor que possa representar determinada personagem?

LFR: Durante muitos anos, não. Agora, de vez em quando, sim. E ainda não consegui perceber se isso é bom ou se é mau. Neste momento, em vez de ter uma história, tenho actores definidos para algumas personagens e estou a tentar desenvolver a história a partir delas. Isto é muito perigoso porque chega uma altura em que não sei o que mais escrever e, ao mesmo tempo, é duplamente perigoso porque os actores são seres humanos, têm limitações. Na verdade, só faz sentido fazer filmes se sairmos um bocadinho mais crescidos de cada um deles. Ainda hoje, o trabalho com o actor é uma das coisas que mais me liga ao cinema.

Costuma rever filmes seus mais antigos e criticá-los, no sentido de ver o que foi bem ou mal conseguido?

LFR: Não voluntariamente, mas, por exemplo, quando estou presente em festivais ou escolas, revejo excertos dos meus filmes. Não sou de trazê-los para casa e revê-los. Quando filmo uma cena que se aproxima muito do que inicialmente imaginei, está acabada. “Corta, está feito”. Sou um cineasta privilegiado porque assinei, com gosto, todos os filmes que realizei, ciente de que atingiram o objectivo que eu tinha definido. Mas é claro que existe sempre qualquer coisa a alterar.

Todos os filmes que realizou foram uma iniciativa sua?

LFR: Sim. Apenas a série Até Amanhã Camaradas que escrevi, não foi realizada por mim devido a divergências com o produtor, à última da hora.


Como surgiu a oportunidade de desempenhar o papel de “Júlio”, no filme Entre os dedos ?

LFR: Foi o Filipe Duarte que insistiu muito. Ele disse que para pai dele não queria mais ninguém se não eu. “’Tás maluco pá!” foi a minha reacção. Num jantar conheci o resto do elenco, criou-se uma grande empatia e, quando dei por mim, já tinha aceitado. No final, adorei a experiência.


Embora sendo um realizador e a sua figura não estar tão exposta ao público, já alguma vez foi abordado na rua por um fã?

LFR: Já, mas foram situações pontuais. Uma vez, ao fazer o check-in no aeroporto, fui abordado por um fã que me reconheceu e elogiou o meu trabalho. Mas não sou de me expor, não gosto de estar nas “luzes da ribalta”. Não sou assim, gosto é de comunicar com pessoas. Quando me convidaram para a gala dos globos de ouro, porque estava nomeado, não aceitei. Nunca me vão ver nesse tipo de coisas, só apareço nas estreias dos filmes, porque tenho compromissos com o produtor.

Como profissional de cinema é mais frequente vê-lo atrás das câmaras. Mas na verdade já participou como actor em diversos filmes. Qual é a sensação?

LFR: É mais confortável estar atrás das câmaras, uma vez que é a minha profissão, apesar de ser mais arriscado. Enquanto actor sinto-me ansioso, talvez pela falta de prática e porque não é bem o meu lugar, mas é também estimulante. Não posso dizer que é uma sensação boa, mas também não é má, ou não o faria. Os actores são mais mimados pelas meninas da maquilhagem, têm o guarda-roupa...

Se pudesse voltar atrás no tempo, mudaria alguma coisa?

LFR: Só mudava uma coisa: quando regressei de Macau, em vez de vir para Portugal, tinha ido viver para Espanha. Se isso tivesse acontecido, não tinha metade dos problemas que tenho agora em Portugal, na minha condição de cineasta. Voltava a fazer todos os disparates e erros que cometi, porque foi com eles que aprendi.

Gosta do que faz? Aconselharia jovens a seguirem as suas pisadas?

LFR: Não aconselho nem recomendo. Penso que cada jovem deve seguir afincadamente o que quer, fazer o que gosta. Mas se quiserem seguir cinema, façam-no fora daqui! Escolham Espanha, Inglaterra ou Estados Unidos. Um sítio onde haja mais condições, respeito e consideração. A maioria do povo português é inculto, mal-educado e desinteressado. Basta entrar em Espanha e mudamos de planeta.

Com esta entrevista, Luís Filipe Rocha conseguiu transmitir-nos uma autêntica lição de vida, não só pela sua inteligência e maneira de ser, como também pelas experiências de vida partilhadas.
Para além disso, sentimo-nos extremamente privilegiados pela disponibilidade demonstrada pelo cineasta em nos ter recebido em sua casa, contrariamente ao habitual.


Ana Catarina Serra nº1

Anna-Carolina Luzia nº5

Catarina Lima nº9

Daniel Silva nº11

segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

Ontem uma atleta de ginásio, hoje uma campeã mundial

Treinada por Dina Pedro no Ginásio Chakra Gym, situado no núcleo empresarial de Mafra, Catarina Valério é a actual Campeã Mundial de kickboxing de Júniores. Para uma jovem com apenas 17 anos, é um grande motivo de orgulho possuir três títulos mundiais, não só para si como também para Dina Pedro. Catarina está integrada na Selecção Nacional Portuguesa de kickboxing e é atleta do FC Outorela (Carnaxide).
Não só se sagrou Campeã Mundial de kickboxing de Júniores, pela segunda vez, como também se tornou Campeã Mundial de Muaythai ,em Dezembro passado, em Banguecoque.
Com estas vitórias de títulos mundiais, Catarina passou ao escalão sénior.
Várias notícias foram publicadas sobre as suas vitórias, nos jornais periódicos do concelho. Desta vez, resolvemos entrevistá-la e descobrir um pouco mais do seu caminho…

Tornaste-te uma referência no kickboxing. Houve algum motivo que te levasse a praticar esta modalidade?
Catarina:
Já me perguntaram isso muitas vezes e eu nunca arranjei uma grande explicação. Sempre fiz muito desporto: basquetebol, voleibol, futebol, atletismo… Só que, entretanto, há 2 anos, estava um bocado parada e decidi ir a um ginásio onde existia o kickboxing. Já conhecia a modalidade, mas nunca a tinha praticado. Fui ao ginásio, onde sabia que havia, e era a Dina Pedro a dar aulas. Fui lá e inscrevi-me. Só depois, quando fui fazer a aula, pensei: «E se eu não gostar? Já paguei, já me inscrevi e nem sequer experimentei!». Na primeira aula apaixonei-me completamente e apercebi-me que era mesmo aquilo que queria. Mas não houve nada de específico, não foi por ver numa revista, não foi por ver um combate, não foi por um amigo, não conhecia ninguém nesta área e acabei por ficar completamente apaixonada.

Quais as características que um atleta desta modalidade deve ter?
Catarina:
Acima de tudo, as características físicas… Qualquer pessoa pode fazer kickboxing, desde que seja esforçada. Acho que a maior característica que um atleta deve ter é ser esforçado, ter força de vontade. Mas isso adapta-se a ti porque o kickboxing é dividido por categorias de peso e são variáveis. Por exemplo, quando comecei fazia a categoria de menos de 60kg; entretanto a categoria ideal para mim e para o meu corpo é menos de 56kg . Na altura em que entrei pesava 64kg. Cada atleta, cada pessoa deve ter características físicas que se adaptam e que podem ser trabalhadas. A realidade é que a melhor característica é o esforço e a força de vontade e conseguir lidar com a parte psicológica porque, há uma coisa de que já me apercebi: é que a tua cabeça manda e o teu corpo obedece. Por mais fraca que tu sejas, por mais cansada que estejas, por mais que penses que não és capaz, que tenhas as lágrimas nos olhos… Tu vais conseguir. A tua cabeça vai mandar e o teu corpo vai obedecer, mesmo com esforço.

Como fazes os teus treinos? Fazes com que periodicidade?
Catarina:
Eu treino todos os dias, de Segunda a Sábado, e ao Domingo corro. À Quarta-feira treino duas vezes, pois tenho essa oportunidade. Os meus treinos são orientados pela minha treinadora. Como é óbvio, não tenho autonomia para me treinar a mim mesma porque em todos os desportos é preciso um treinador. A minha treinadora (é claro que não consigo ser parcial…) é a melhor. É ela que orienta os nossos treinos e temos fases diferentes. Temos fases em que estamos a treinar para uma competição. Nesse momento treinamos com mais intensidade e treinamos o que temos de melhor para usar no combate. Mas quando passou o combate e só temos um novo combate dali a um mês ou dois conseguimos treinar a técnica, a força. Os treinos são muito localizados, por exemplo para a caixa respiratória usamos a corrida. Também temos um preparador físico que nos ajuda muito na preparação. Todos os treinos são orientados pela nossa treinadora e depende da altura de competições.


Tens alguma técnica que aprecies particularmente?
Catarina:
A minha técnica preferida é o circular médio, que é um pontapé que acerta na zona lateral do tronco ou no braço, porque acho muito bonito. Muito bonito, principalmente quando é feito pelos tailandeses porque o Kickboxing e o Muaythai são originários da Tailândia. Na Tailândia estão os melhores do mundo e os melhores pontapeiam muito bem. Eu adoro pontapear.


Já ganhaste alguns prémios. Quantos foram e em que categorias?
Catarina:
Foram alguns. É assim, eu comecei a competir a nível internacional há um ano e, entretanto, fiz 4 campeonatos internacionais, 3 do mundo e 1 da Europa. Os 3 do mundo ganhei-os, fui campeã. No da Europa, que foi o meu primeiro campeonato, fui vice-campeã . Já ganhei taças e medalhas e é uma experiência…completamente…fantástica!

Na Tailândia ganhaste o campeonato de Muaythai…
Catarina:
É a modalidade dentro do kickboxing, como no futebol há o futsal entre outros, no kickboxing há várias modalidades, há o Kickboxing, o k1, … No kickboxing só se pode usar braços, pernas e punhos, no K1 podem usar braços, punhos, pernas e joelhos, no Muaythai podes usar pernas, joelhos e cotovelos. Eu gosto mais de Muaythai, acho uma modalidade muito bonita, bater cotovelos, andar corpo a corpo e a bater joelhos e rotações. A minha preferida é o Muaythai até porque foi aquela em que eu ganhei o meu primeiro título do mundo. Teve um grande valor sentimental para mim, mas o Muaythai deriva da Tailândia e o mais importante era ganhar o título do mundo de Muaythai na Tailândia. É muito bom. De todos os meus títulos foram aquele de que mais gostei.

Sentiste-te preparada quando participaste no teu primeiro camnpeonato, o europeu?
Catarina:
Senti-me preparada e não era uma questão de me sentir preparada. Tal como nas outras modalidades, quando é a nível internacional funciona por selecções. Fizemos o estágio na selecção e eu fui logo convocada . Tinha que me sentir preparada e tinha que estar bem e a realidade é que correu bem e não fui a primeira atleta que no primeiro campeonato internacional conseguiu uma medalha. É obvio que os que vieram a seguir correram melhor ainda, mas aquele correu bem e competi em menos de 56kg. Tenho combatido sempre em menos de 56kg. 60 kg é uma categoria que consigo fazer, mas é mais difícil, pois elas são muito mais pesadas e, às vezes, tem que se jogar com o peso. Quem faz 60kg pode ter 62, 63 kg e, na última semana, consegue os 60kg, mas quando combate novamente tem os 63kg e depois há uma diferença de peso e, neste desporto, o peso conta muito, ou seja, o peso de força, a amplitude corporal . Como entretanto comecei a fazer 56kg, tornou-se mais fácil, pois quando fazia os 60 kg nunca tinha 60kg, era sempre 59,58 kg e depois combati com raparigas muito mais pesadas, o que foi bastante complicado para mim. Na categoria de menos 56kg sinto-me muito mais à vontade.
Já salientaste muitas vezes o peso, começaste com 64kg, certo? Foi necessária alguma dieta ou apenas o exercício para chegares a essa categoria?
Catarina:
Foi com a preparação física e com muito cuidado com a alimentação. Uma coisa é tu entrares num desporto e, logo no início, consegues perder 2/3 kg, porque são os que tu tens a mais. Conjugando a alimentação e o desporto, mesmo a comeres porcarias, consegues perdê-los. Outra coisa é quando já fazes esse desporto e até já perdeste esse 2/3 kg, mas depois não consegues perder mais. Nesse momento tens que ter cuidado com a alimentação, é o ideal. Deves também correr bastante, pois ajuda muito na perda de peso, mas principalmente cuidado com alimentação. Por exemplo, eu não bebo uma Coca-Cola há um mês porque vou ter um campeonato daqui a duas semanas, tenho que ter muito cuidado com a alimentação.


Houve algum episódio nesta modalidade que te tenha marcado?
Catarina:
Foi o campeonato do mundo, na Tailândia. Foi o meu primeiro campeonato do mundo, logo a seguir ao da Europa. Ir à Tailândia era um dos meus sonhos. Qualquer lutador de Kickboxing ou Muaythai vê na Tailândia o paraíso, porque é lá que tudo é originado. Então, primeiro fui seleccionada para ir ao campeonato do mundo com a selecção sénior ,mas acabei por ir em júnior, com os melhores. O campeonato na Tailândia foi uma sensação… E depois, nesse campeonato conheci pessoas espectaculares, os combates correram-me muito bem. Foi uma viagem que não vou esquecer. Não consigo definir um episódio… Aliás, consigo. Nós já tínhamos ganho todos, nesse campeonato fomos 4 medalhas de ouro. Saímos à noite, quando acabou o campeonato, e enganaram-nos. Levaram-nos para um bar de prostitutas. Lá a prostituição é uma coisa normal. Foi muito engraçado porque nos apercebemos de pormenores culturais muito diferentes. De resto foi uma viagem espectacular.

Há pouco tempo estiveste em Itália, em Nápoles, como disseste, daqui a duas semanas vais estar num campeonato, não te sentes nervosa?
Catarina:
Muito ansiosa. Até porque este último campeonato que fiz, em Itália, foi um campeonato do mundo de júniores. Eu sou júnior, só que como obtive bons resultados em júnior, a selecção de séniores convocou-me, ou seja, este campeonato que vai haver agora é um campeonato da Europa, de séniores. Já combati algumas vezes em sénior, mas a minha categoria é a de júnior e ter sido convocada pela selecção principal sénior é muito gratificante. É para veres que andas a treinar muito e a combater em combates não muito fáceis, mas foi tudo apreciado e confiam em ti. Geralmente há vários atletas para o mesmo peso, mas só pode ir um . Há atletas com mais experiência do que eu que tiveram de disputar o lugar para a selecção e eu não… Eu fui convocada e não havia mais ninguém com o meu peso, disseram que na categoria menos 56kg ia eu e só eu. Isso é muito gratificante. Estou nervosíssima porque é o meu primeiro campeonato como sénior e em sénior as coisas correm de maneira diferente. Elas já são mais velhas, já têm outra esperteza, mas é assim, eu já me sinto preparada e já combati em sénior outras vezes. Vamos ver como vai correr. Não tenho pressão em cima de mim porque é a minha primeira vez como sénior. Estou bastante expectante, vai ser em Guimarães e vêm cerca de 2 mil atletas de toda a Europa.

Alguma vez tiveste lesões graves?
Catarina
:
Nunca. Eu sofri lesões em voleibol, em basquetebol, em futebol, em atletismo, no kickboxing nunca me magoei. É óbvio que tenho nódoas negras e, de vez em quando, quando toco no cotovelo de alguém com a minha canela magoo-me. Pode acontecer em qualquer desporto.

São apenas aquelas lesões que obrigatoriamente fazes quando praticas algum desporto…
Catarina:
Exactamente. A única lesão que tive ultimamente, e que me impediu de combater, foi ao empurrarem-me na escola, pois torci o pé.

É normal nessa modalidade haver lesões graves?
Catarina:
Não. Aliás já combati em profissional, sem caneleiras nem capacete. A nível amador combates com capacete e caneleiras para te proteger, agora quando é profissional é sem capacete e sem caneleiras. É canela com canela, os socos são mesmo na cara… Eu já combati em profissional, em Inglaterra, e não me magoei. Quando vinha ao canto, dizia para a minha treinadora que era fantástico porque não doía nada. Mas, raramente há lesões. Por exemplo, quando há os KO’s, aí sim, é preciso um cuidado maior. Há ambulâncias e bombeiros para fazer um check-up ao atleta, para ver se está tudo bem.

Tens projectos para o futuro no kickboxing?
Catarina:
Eu agora estou a construir a minha carreira profissional. É óbvio que tenho tido bons resultados e eu sei disso. Esses resultados significam muito para mim, mas ainda não são aquilo que eu quero. O que eu quero é ser campeã do mundo e ser a melhor do mundo em profissional. Quero poder jogar com qualquer uma de todo o mundo e poder ir lá, de igual para igual, sem qualquer receio. Agora ainda não posso jogar com qualquer uma, porque ainda há melhores do que eu. Ainda estou a começar e sou amadora. Como amadora jogo com qualquer uma, mas a nível profissional ainda não porque ainda não tenho categoria para isso. Mas faz parte da experiência e eu só tenho um combate profissional. Quero que chegue a altura em que, em profissional, eu jogue com qualquer uma, combata com qualquer uma em qualquer parte do mundo, porque os árbitros por vezes não nos facilitam a vida, quando é nos outros países. Sem ter medo de ninguém e sem achar que alguém é melhor que eu. Quero que as pessoas me respeitem. O meu grande objectivo é ser respeitada no mundo do kickboxing, que as pessoas me vão ver combater porque gostam de me ver combater. É óbvio que eu gostava de fazer a minha vida no kickboxing, mas sei que é algo muito difícil. Como atleta é impossível em Portugal e em muitas partes do mundo também. Como treinadora é diferente. É difícil mas sei que é possível, pois vejo a minha própria treinadora. São raros os treinadores de kickboxing que vivem só do kickboxing, a minha treinadora tem a sorte de conseguir viver só do kickboxing. Primeiro, eu gostava muito de me dedicar só à minha carreira como atleta, ganhar tudo o que tenho para ganhar, ser muito respeitada e ser campeã do mundo em profissional, o que é o meu maior objectivo.

Aconselhas a prática de desporto aos jovens?
Catarina:
Acho que toda a gente deve praticar desporto, seja caminhada, corrida, musculação, cadio-fitness, tudo… Pode ser uma jogatina ao fim-de-semana com os amigos, mas desporto sempre, sempre. Eu noto a vida que levava antes, mesmo a praticar algum desporto, uma vida muito sedentária e agora o quanto a minha vida mudou e eu mudei. E vejo aquilo que o desporto faz nas pessoas, eu recomendo sempre muito desporto para toda a gente, desde miúdos. Principalmente desde miúdos, porque cada vez mais as pessoas fazem as coisas por imitação. Existem ídolos e cada vez mais, ao nível do desporto, em Portugal, isso vai aumentado. Eu noto que, quando entrei, tinha alguns ídolos por quem me podia guiar, mas vejo que cada vez mais as pessoas novas, que entram para o kickboxing, têm mais jeito porque vêem muito, vêem-me fazer, vêem outros atletas a fazer e observam muito. Eu acho que os portugueses são muito dotados fisicamente. Os portugueses, as crianças e os jovens, deveriam investir bastante no desporto porque somos bastante dotados.

Já falaste em ídolos, quem é o teu ídolo?
Catarina:
É a minha treinadora, a Dina Pedro, porque eu acho-a a melhor treinadora. Nos combates, olho para as equipas e para os atletas e são bons, ninguém lhes tira o valor porque foi aquilo que lhes ensinaram. Mas acho que tecnicamente e fisicamente a minha treinadora prepara-nos melhor e vive mesmo para nós. É aquilo a vida dela e há muitos treinadores que não pensam tanto assim, preocupam-se com os atletas, mas não encaram o kickboxing com tanta seriedade como a minha treinadora. Sem dúvida que o meu ídolo é a minha treinadora, como atleta e profissional, porque como atleta ela ganhou tudo o que tinha para ganhar e nunca teve a vida facilitada.


Tu esperas, também, conseguir não ter medo de ninguém e vencer tudo e todos?
Catarina:
Eu não tenho medo de ninguém, só que ainda não tenho nível para jogar com todas, a nível profissional, pois sou apenas amadora. Eu quero, quando passar a profissional, é o meu objectivo e o objectivo que a minha treinadora me transmitiu, trabalhar até aos 20 anos. Vamos fazer combates de neo-profissional, que é a etapa antes da profissional, é sem caneleiras mas ainda é classe B. É combater muito para ganhar experiência. E, quando chegar aos 20 anos, é trabalhar só para ganhar. Aí é que não posso perder um combate. Quero jogar com qualquer uma, em qualquer lugar, mas é para ganhar. Agora vou ter 2 anos para me preparar para isso, para quando tiver 20 anos estar no topo da minha carreira e depois até aos 25, 27, 30 anos quero andar a combater. Quero ser a melhor.

Um atleta termina a sua carreira nesta modalidade com que idade?
Catarina:
Há atletas com muito bom nível a combater. Na minha equipa há um atleta com 38 anos a combater, mas isso são pessoas muito dotadas. Uma carreira de atleta de topo vai até aos 33, 34 anos. Depende também da altura em que te iniciaste, por exemplo, eu iniciei-me aos 15 anos, mas agora estou a entrar num nível avançado e tenho colegas que se iniciaram aos 17 e só agora, aos 19 anos, conseguem iniciar este nível. Eu fui bastante precoce, porque tive sorte de ter bastante jeito de início. Fui logo passando etapas e fui combatendo com pessoas mais difíceis e é obvio que vou ter mais tempo em profissional do que certos colegas meus.

E assim terminou a nossa entrevista a Catarina Valério. A Catarina demonstrou ser muito comunicativa e esclareceu-nos algumas dúvidas que tínhamos acerca da modalidade que pratica.
A campeã mundial de kickboxing, na categoria K1,deixa assim, na nossa entrevista, referências a parte da sua vida desportiva e um apelo aos jovens para a prática de desporto. Ficam desde já os nossos agradecimentos pela entrevista concedida.

Ana Silva
Bruna Santos
Cátia Jorge
Sara Malheiro

terça-feira, 25 de novembro de 2008

O meu cardume...




Pelo mar a nadar anda um peixe, diariamente tem as suas rotinas, trabalho, actividades, tarefas, ele nunca sabe por onde começar, mas vai vivendo e a sua vida vai correndo.
Muitas vezes já teve o convite de viajar até ao fundo do mar, mas ele prefere ficar à superfície, sem correr risco algum. Mas todos os outros lhe perguntam o motivo de ele não querer visitar o fundo, essa foi uma resposta que ele nunca quis admitir.
Certo dia, reuniram-se todos os peixes e confrontaram-no com a pergunta: não queres ir ao fundo e preferes a superfície? Neste dia, o peixe foi obrigado a responder, teve de se confrontar com ele próprio e com os outros diante dele, até que, com muito esforço, responde que o motivo é medo, medo de conhecer o fundo, medo de ir para lá e não voltar, medo de descobrir o que não quer.
Quantas vezes sou este peixe com medo de acordar e parar de sonhar? Muitas… Lidar com a realidade é o que mais custa, logo prefiro sempre viver na superfície, sem me confrontar com a minha realidade e apenas estes peixes me salvam, me ajudam a ir ao fundo e a voltar, sabendo a realidade, mas regressando com um sorriso no rosto, sendo que este sorriso já é verdadeiro e não apenas aquele que lançamos diariamente para todos os ditos “conhecidos”, pois estes apenas conhecem a nossa “superfície”.
Sou feliz, por pertencer a um cardume de amigos, que me leva e me traz do fundo sempre que necessário.




Catarina Simões


11.ºE N.º27

sábado, 22 de novembro de 2008

Título original


Não sei que dizer. As palavras custam a sair...Mar? Tema complexo. Moro tão perto dele que já não o sinto. Dezasseis anos da vida num rotina: abrir a janela do quarto, de manhã, e vê-lo, observá-lo, ouvi-lo. Apesar de me sentir privilegiada, sei que não lhe dou a devida importância. Talvez uma pessoa de fora o trate muito melhor, elogiando-o constantemente. Eu não. Infelizmente já não paro uma tarde, quatro horas ou dez minutos sequer, para o olhar, apenas. Contudo, sei que é ele que, muitas vezes, me leva para outros mundos e me inspira! E é ele que me distrai quando estou a estudar, e ao olhar para a frente, o vejo, sempre no mesmo sítio, azul. Umas vezes sereno, outras zangado. E é quando está assim que se faz ouvir, "gritando".
Ao texto dei o nome "título original" precisamente porque não encontrei nenhum que conseguisse descrever o mar, e "Mar" não seria, de todo, um título original...
É-me muito difícil falar do mar, estranhamente. Sinto que tudo o que posso dizer são palavras soltas, que juntas, em frases, não fariam qualquer sentido. Por isto tudo, o mar é, realmente, especial. É capaz de nos provocar tantos sentimentos. Uma coisa é certa: não consigo formular sequer a hipótese de voltar a não fazer a rotina que desprezo. Não consigo imaginar-me a abrir a janela numa manhã, aparentemente igual às outras, e ele não estar lá, para me dar os bons-dias ou, à noite, ir deitar-me e, na cama, não ouvir a sua revolta, as ondas a espreguiçarem-se na areia.

Como se costuma dizer, só damos o devido valor às coisas quando as perdemos. Espero que nunca me aconteça isso, em relação a ele, o Mar.



Catarina Lima nº 9

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

A ajuda chamada Mar


Mar, o objecto que tirou o sonho a muitas pessoas. Tu, que já salvaste, mas também tiraste o bem mais precioso de todos, a vida! Tu, que foste o “objecto” de glória dos portugueses, sim porque nós também tivemos os nossos quinze minutos de fama, não no futebol, mas sim em inovação e coragem, com os descobrimentos.
Também tens outro motivo para te orgulhares, sim tu, aquele que tira vidas, és o sustento de muitas famílias, e, apesar de dares pouco, és o único meio de sobrevivência. Mas salvas países inteiros, como no caso da Islândia, que estando à beira da banca rota, se vira para ti, como meio de salvação de uma nação inteira.
Os Romanos, aqueles rapazes com penas vermelhas no alto do capacete, chamaram uma pequena parte de ti “Mare Nostrum”, e usaram-na como meio de transporte no seu império. Tu és o culpado pela pobreza dos árabes, na altura dos descobrimentos, tirando a rota da seda deles, para dares aos portugueses.
Já foste, e ainda és, mas em menor número, a salvação de nações. Agora, para grande parte da população mundial, és só e apenas, um meio de lazer ou inspiração.
Para mim, és uma fonte de beleza inesgotável, mas principalmente uma fonte de entretimento no verão. Todos gostam de ti, desde o mais pequeno ao maior, do mais novo ao mais idoso, para banhos no verão, ou para a pesca, desportiva ou profissional.
Já no Inverno, apenas te uso para admirar a tua beleza, pois no Inverno não me apetece refrescar-me nas tuas águas maravilhosas.


Rui Santos nº22 11ºE

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Mar me quer, sem querer


O mar é um misto de incerteza, desejo e querença. O mar é diferente de tudo o que conheço, é especial. Talvez por isso me faz acreditar. A sensação de infinito faz-me querer ver mais longe, ir além do seu fim. Tenho o desejo de sobrevoá-lo, de poder conhecer os seus mistérios, a razão da sua presença e aparente indiferença.

São tantas as vezes que me sento na varanda voltada para o mar. O horizonte faz-me despertar do hábito que é a vida, parece que me chama para si. Cativa o meu interesse. Quero ter asas, quero ver mais, tenho a necessidade de saber mais. Quero acreditar que na outra ponta, do outro lado, existe uma realidade melhor.

Mas o mar é traiçoeiro. Ao mesmo tempo chama-me e afasta-me. E quando eu estou pronta para alcançá-lo, para a sua próxima "ordem", ele cala-se. Avanço mas nunca chego. E à tristeza que já sentia, somo o desespero e impotência. De volta à realidade apercebo-me que nunca saí do mesmo sítio.

Este imenso mar utiliza a nossa maior fraqueza, a necessidade de encontrar respostas. E depois de tantas tristezas, lembranças, saudade, sonhos e perdição ancoradas em si, ele vinga-se. Devolve-nos o seu ar superior e de pena, confunde-nos. Apercebemo-nos que fomos suas marionetas.

Já disse tanto mal do mar que pode parecer que não gosto dele, mas é mentira! É isso que o torna fantástico. Enquanto o olhamos e nos perdemos na sua imensidão, ele faz-nos sentir bem. Uma sensação de tranquilidade, é certo que falsa, mas reconfortante. É essa a razão pela qual eu e toda a gente gostamos de ver o mar e o pôr do sol. É o nosso momento de liberdade e alegria.


Ana Catarina

sábado, 25 de outubro de 2008

O oceano mágico




Como pode algo tão simples ser tão complexo? Para aqueles que apenas vêem e não observam, o oceano é apenas uma imensa quantidade de água, sem nenhuma utilidade. No entanto, para a pequena parte que observa em vez de ver, o oceano é muito mais. À superfície, é uma imensidão de azul que nos enche de energia e nos acalma ao mesmo tempo. Dá-nos vontade de voar apenas para que possamos deslizar sobre a água, sem nos afundarmos. É ele que nos anima quando estamos em baixo e nos dá força para continuar.


Abaixo da superfície, no fundo do oceano, encontramos um tesouro escondido a cada passo que damos. Tornamo-nos exploradores para que possamos desvendar todos os seus mistérios. E quando pensamos que já descobrimos tudo, descobrimos mais algum segredo nunca antes visto.


É essa a magia do oceano.

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

O mar levou-te...

Vieste num dia solarengo ter comigo, a tua presença e o calor do teu olhar bastaram para eu largar um sorriso. Não dissemos uma palavra, mas a tua mão na minha fez com que páginas e páginas de palavras fossem ditas, embora que em silêncio.
Prometeste que a tua ausência seria temporária. E o mar esteve sempre presente, quando me deste a mão, quando estivemos juntos e quando me largaste.
Guardo um ódio profundo ao mar. Ele que já te levou tantas vezes, mas sempre voltaste, como se fosses uma mensagem numa garrafa, com um sorriso ainda maior, ainda mais forte, com aquele brilho nos olhos. Eu não te queria largar nem por um dia, nem por um minuto ou segundo. Eu sempre tive a esperança que voltasses, e tu voltavas.
Agora foste, tal como a mensagem na garrafa e eu não sei o que aconteceu. Não sei se te encontras ao abrigo de outro porto ou se a tua garrafa se partiu. Apenas chegou o dia em que não voltaste, chegou o dia em que o mar te levou de vez.
Eu... Eu continuo na vã esperança de te reencontrar, na esperança que voltes e me tornes a dar a mão. Então, sento-me na areia, toco com os pés na água fria e sinto a temperatura do meu ódio pelo mar a invadir o meu interior. Olho para o horizonte e penso em ti, choro porque não voltaste e grito desesperadamente ainda que seja no meu interior.
Passeio na praia, os pequenos grãos de areia entre os meus dedos dos pés, a brisa do mar, o sentimento de liberdade, aí podia fazer tudo. Olho para o sol, para o mar, rebolo na areia, deito-me e olho para o céu, percebo que estarás sempre comigo, mas, não da forma que eu desejava, não da forma que eu quero.
Quero que voltes, não importa como, desde que me abraces assim que me vires.
Continuo a olhar para o mar, a sua imensidão é tão impressionante quanto a vastidão dos sentimentos no meu interior. Sinto tanto a tua falta! Sinto tanto a falta do teu sorriso, do teu olhar! E há momentos em que tenho mais saudades que aquelas que possas imaginar, parece que regressas e inundas o meu olhar, mas tudo não passou de uma miragem.
O mar levou-te e eu continuo na esperança que ele te traga. Ainda que não acredite no mar, acredito em ti.
Se voltares, não vou deixar que seja o mar a levar-te novamente...
Sara Malheiro