terça-feira, 11 de novembro de 2008

Mar me quer, sem querer


O mar é um misto de incerteza, desejo e querença. O mar é diferente de tudo o que conheço, é especial. Talvez por isso me faz acreditar. A sensação de infinito faz-me querer ver mais longe, ir além do seu fim. Tenho o desejo de sobrevoá-lo, de poder conhecer os seus mistérios, a razão da sua presença e aparente indiferença.

São tantas as vezes que me sento na varanda voltada para o mar. O horizonte faz-me despertar do hábito que é a vida, parece que me chama para si. Cativa o meu interesse. Quero ter asas, quero ver mais, tenho a necessidade de saber mais. Quero acreditar que na outra ponta, do outro lado, existe uma realidade melhor.

Mas o mar é traiçoeiro. Ao mesmo tempo chama-me e afasta-me. E quando eu estou pronta para alcançá-lo, para a sua próxima "ordem", ele cala-se. Avanço mas nunca chego. E à tristeza que já sentia, somo o desespero e impotência. De volta à realidade apercebo-me que nunca saí do mesmo sítio.

Este imenso mar utiliza a nossa maior fraqueza, a necessidade de encontrar respostas. E depois de tantas tristezas, lembranças, saudade, sonhos e perdição ancoradas em si, ele vinga-se. Devolve-nos o seu ar superior e de pena, confunde-nos. Apercebemo-nos que fomos suas marionetas.

Já disse tanto mal do mar que pode parecer que não gosto dele, mas é mentira! É isso que o torna fantástico. Enquanto o olhamos e nos perdemos na sua imensidão, ele faz-nos sentir bem. Uma sensação de tranquilidade, é certo que falsa, mas reconfortante. É essa a razão pela qual eu e toda a gente gostamos de ver o mar e o pôr do sol. É o nosso momento de liberdade e alegria.


Ana Catarina

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