Pelo mar a nadar anda um peixe, diariamente tem as suas rotinas, trabalho, actividades, tarefas, ele nunca sabe por onde começar, mas vai vivendo e a sua vida vai correndo.
Muitas vezes já teve o convite de viajar até ao fundo do mar, mas ele prefere ficar à superfície, sem correr risco algum. Mas todos os outros lhe perguntam o motivo de ele não querer visitar o fundo, essa foi uma resposta que ele nunca quis admitir.
Certo dia, reuniram-se todos os peixes e confrontaram-no com a pergunta: não queres ir ao fundo e preferes a superfície? Neste dia, o peixe foi obrigado a responder, teve de se confrontar com ele próprio e com os outros diante dele, até que, com muito esforço, responde que o motivo é medo, medo de conhecer o fundo, medo de ir para lá e não voltar, medo de descobrir o que não quer.
Quantas vezes sou este peixe com medo de acordar e parar de sonhar? Muitas… Lidar com a realidade é o que mais custa, logo prefiro sempre viver na superfície, sem me confrontar com a minha realidade e apenas estes peixes me salvam, me ajudam a ir ao fundo e a voltar, sabendo a realidade, mas regressando com um sorriso no rosto, sendo que este sorriso já é verdadeiro e não apenas aquele que lançamos diariamente para todos os ditos “conhecidos”, pois estes apenas conhecem a nossa “superfície”.
Sou feliz, por pertencer a um cardume de amigos, que me leva e me traz do fundo sempre que necessário.
Catarina Simões
11.ºE N.º27

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