terça-feira, 25 de novembro de 2008

O meu cardume...




Pelo mar a nadar anda um peixe, diariamente tem as suas rotinas, trabalho, actividades, tarefas, ele nunca sabe por onde começar, mas vai vivendo e a sua vida vai correndo.
Muitas vezes já teve o convite de viajar até ao fundo do mar, mas ele prefere ficar à superfície, sem correr risco algum. Mas todos os outros lhe perguntam o motivo de ele não querer visitar o fundo, essa foi uma resposta que ele nunca quis admitir.
Certo dia, reuniram-se todos os peixes e confrontaram-no com a pergunta: não queres ir ao fundo e preferes a superfície? Neste dia, o peixe foi obrigado a responder, teve de se confrontar com ele próprio e com os outros diante dele, até que, com muito esforço, responde que o motivo é medo, medo de conhecer o fundo, medo de ir para lá e não voltar, medo de descobrir o que não quer.
Quantas vezes sou este peixe com medo de acordar e parar de sonhar? Muitas… Lidar com a realidade é o que mais custa, logo prefiro sempre viver na superfície, sem me confrontar com a minha realidade e apenas estes peixes me salvam, me ajudam a ir ao fundo e a voltar, sabendo a realidade, mas regressando com um sorriso no rosto, sendo que este sorriso já é verdadeiro e não apenas aquele que lançamos diariamente para todos os ditos “conhecidos”, pois estes apenas conhecem a nossa “superfície”.
Sou feliz, por pertencer a um cardume de amigos, que me leva e me traz do fundo sempre que necessário.




Catarina Simões


11.ºE N.º27

sábado, 22 de novembro de 2008

Título original


Não sei que dizer. As palavras custam a sair...Mar? Tema complexo. Moro tão perto dele que já não o sinto. Dezasseis anos da vida num rotina: abrir a janela do quarto, de manhã, e vê-lo, observá-lo, ouvi-lo. Apesar de me sentir privilegiada, sei que não lhe dou a devida importância. Talvez uma pessoa de fora o trate muito melhor, elogiando-o constantemente. Eu não. Infelizmente já não paro uma tarde, quatro horas ou dez minutos sequer, para o olhar, apenas. Contudo, sei que é ele que, muitas vezes, me leva para outros mundos e me inspira! E é ele que me distrai quando estou a estudar, e ao olhar para a frente, o vejo, sempre no mesmo sítio, azul. Umas vezes sereno, outras zangado. E é quando está assim que se faz ouvir, "gritando".
Ao texto dei o nome "título original" precisamente porque não encontrei nenhum que conseguisse descrever o mar, e "Mar" não seria, de todo, um título original...
É-me muito difícil falar do mar, estranhamente. Sinto que tudo o que posso dizer são palavras soltas, que juntas, em frases, não fariam qualquer sentido. Por isto tudo, o mar é, realmente, especial. É capaz de nos provocar tantos sentimentos. Uma coisa é certa: não consigo formular sequer a hipótese de voltar a não fazer a rotina que desprezo. Não consigo imaginar-me a abrir a janela numa manhã, aparentemente igual às outras, e ele não estar lá, para me dar os bons-dias ou, à noite, ir deitar-me e, na cama, não ouvir a sua revolta, as ondas a espreguiçarem-se na areia.

Como se costuma dizer, só damos o devido valor às coisas quando as perdemos. Espero que nunca me aconteça isso, em relação a ele, o Mar.



Catarina Lima nº 9

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

A ajuda chamada Mar


Mar, o objecto que tirou o sonho a muitas pessoas. Tu, que já salvaste, mas também tiraste o bem mais precioso de todos, a vida! Tu, que foste o “objecto” de glória dos portugueses, sim porque nós também tivemos os nossos quinze minutos de fama, não no futebol, mas sim em inovação e coragem, com os descobrimentos.
Também tens outro motivo para te orgulhares, sim tu, aquele que tira vidas, és o sustento de muitas famílias, e, apesar de dares pouco, és o único meio de sobrevivência. Mas salvas países inteiros, como no caso da Islândia, que estando à beira da banca rota, se vira para ti, como meio de salvação de uma nação inteira.
Os Romanos, aqueles rapazes com penas vermelhas no alto do capacete, chamaram uma pequena parte de ti “Mare Nostrum”, e usaram-na como meio de transporte no seu império. Tu és o culpado pela pobreza dos árabes, na altura dos descobrimentos, tirando a rota da seda deles, para dares aos portugueses.
Já foste, e ainda és, mas em menor número, a salvação de nações. Agora, para grande parte da população mundial, és só e apenas, um meio de lazer ou inspiração.
Para mim, és uma fonte de beleza inesgotável, mas principalmente uma fonte de entretimento no verão. Todos gostam de ti, desde o mais pequeno ao maior, do mais novo ao mais idoso, para banhos no verão, ou para a pesca, desportiva ou profissional.
Já no Inverno, apenas te uso para admirar a tua beleza, pois no Inverno não me apetece refrescar-me nas tuas águas maravilhosas.


Rui Santos nº22 11ºE

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Mar me quer, sem querer


O mar é um misto de incerteza, desejo e querença. O mar é diferente de tudo o que conheço, é especial. Talvez por isso me faz acreditar. A sensação de infinito faz-me querer ver mais longe, ir além do seu fim. Tenho o desejo de sobrevoá-lo, de poder conhecer os seus mistérios, a razão da sua presença e aparente indiferença.

São tantas as vezes que me sento na varanda voltada para o mar. O horizonte faz-me despertar do hábito que é a vida, parece que me chama para si. Cativa o meu interesse. Quero ter asas, quero ver mais, tenho a necessidade de saber mais. Quero acreditar que na outra ponta, do outro lado, existe uma realidade melhor.

Mas o mar é traiçoeiro. Ao mesmo tempo chama-me e afasta-me. E quando eu estou pronta para alcançá-lo, para a sua próxima "ordem", ele cala-se. Avanço mas nunca chego. E à tristeza que já sentia, somo o desespero e impotência. De volta à realidade apercebo-me que nunca saí do mesmo sítio.

Este imenso mar utiliza a nossa maior fraqueza, a necessidade de encontrar respostas. E depois de tantas tristezas, lembranças, saudade, sonhos e perdição ancoradas em si, ele vinga-se. Devolve-nos o seu ar superior e de pena, confunde-nos. Apercebemo-nos que fomos suas marionetas.

Já disse tanto mal do mar que pode parecer que não gosto dele, mas é mentira! É isso que o torna fantástico. Enquanto o olhamos e nos perdemos na sua imensidão, ele faz-nos sentir bem. Uma sensação de tranquilidade, é certo que falsa, mas reconfortante. É essa a razão pela qual eu e toda a gente gostamos de ver o mar e o pôr do sol. É o nosso momento de liberdade e alegria.


Ana Catarina