Prometeste que a tua ausência seria temporária. E o mar esteve sempre presente, quando me deste a mão, quando estivemos juntos e quando me largaste.
Guardo um ódio profundo ao mar. Ele que já te levou tantas vezes, mas sempre voltaste, como se fosses uma mensagem numa garrafa, com um sorriso ainda maior, ainda mais forte, com aquele brilho nos olhos. Eu não te queria largar nem por um dia, nem por um minuto ou segundo. Eu sempre tive a esperança que voltasses, e tu voltavas.
Agora foste, tal como a mensagem na garrafa e eu não sei o que aconteceu. Não sei se te encontras ao abrigo de outro porto ou se a tua garrafa se partiu. Apenas chegou o dia em que não voltaste, chegou o dia em que o mar te levou de vez.
Eu... Eu continuo na vã esperança de te reencontrar, na esperança que voltes e me tornes a dar a mão. Então, sento-me na areia, toco com os pés na água fria e sinto a temperatura do meu ódio pelo mar a invadir o meu interior. Olho para o horizonte e penso em ti, choro porque não voltaste e grito desesperadamente ainda que seja no meu interior.
Quero que voltes, não importa como, desde que me abraces assim que me vires.
Continuo a olhar para o mar, a sua imensidão é tão impressionante quanto a vastidão dos sentimentos no meu interior. Sinto tanto a tua falta! Sinto tanto a falta do teu sorriso, do teu olhar! E há momentos em que tenho mais saudades que aquelas que possas imaginar, parece que regressas e inundas o meu olhar, mas tudo não passou de uma miragem.
O mar levou-te e eu continuo na esperança que ele te traga. Ainda que não acredite no mar, acredito em ti.
Se voltares, não vou deixar que seja o mar a levar-te novamente...
Sara Malheiro
3 comentários:
o teu texto está tão lindo, sara. adorei.
também adorei Sara. Como eu te compreendo! (: *
fui eu a Catz que fiz o outro comment, mas nao sei mudar o nome 8) xD
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