quinta-feira, 14 de maio de 2009

O meu mar, a minha vida


Quando estou triste,
sozinha cansada,
conto ao mar os meus problemas
porque sei que não dirá nada.
Ele ouve porque quer ouvir,
ele fala, esclarece, acalma,
e guarda, afundando os meus segredos.




O seu fundo é meu e dele é a minha alma!




O Mar é confuso na espuma,
enigmático e misterioso na cor,
Calmo e feliz nas ondas,
Injusto no sujo e injusto na dor!


No meu Mar escondem-se os sonhos,
as paixões, o sofrimento,
os desgosto, os amores.
A saudade. O desalento.

O Mar é o meu caminho,
o meu guia, o meu infinito,
assim como o daqueles que o navegaram,
o descobriram, o desenharam,
o respeitaram e desrespeitaram,
e que por ele se apaixonaram.


O Mar leva-me para onde pertenço,
para o mundo dos sonhos e das ilusões,
para o profundo azul,
para a multidão das solidões.


As ondas embalam-me,
A visão dá-me sabedoria,
O remoinho afunda-me
e leva-me por um dia.

O Mar desperta em mim
uma multiplicidade de sentimentos:
amor, paixão, confiança,
ilusão, injustiça, esperança,
tristeza, ambição, vontade,
querer, rir, felicidade.

O Mar ensina, posso dizer-vos!
Posso até garantir-vos!
Pois se acolheres o Mar,
Acolhes a Vida!





Lia Barros nº16

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