Pode relatar-nos como surgiu esta escola?
José Carlos: Esta escola já tem cerca de 16 anos e pretende preencher uma lacuna que havia na região. Esta região, Mafra, tem uma forte componente musical, tem muitas raízes de tradições musicais e houve necessidade de criação de uma escola, pois não havia nada nesta zona que suprimisse essas lacunas. Na altura o executivo da Junta de Freguesia propôs uma parceria comigo, de modo a que fundássemos uma escola de música. Hoje, a escola de música é autónoma e cá estamos a desenvolver o nosso trabalho.
Qual a faixa etária que mais procura inscrever-se na escola?
JC: Nós temos alunos de todas as idades. No entanto, a faixa etária que maior representatividade tem nesta escola vai dos 16 aos 18 anos.
Em média, quantos alunos frequentam esta escola?
JC: Esta escola, por ano, tem cerca de 60 a 70 alunos, nas várias áreas.
Quais as áreas musicais mais procuradas?
JC: Normalmente, há um instrumento que tem um forte peso aqui na escola, que é a guitarra, quer na vertente clássica quer na vertente eléctrica. É o instrumento, por assim dizer, que tem mais peso nesta escola. No entanto, posso dizer que a bateria também tem uma forte componente assim como o piano, o órgão ou o violino. O canto também, sobretudo este ano que temos uma professora com créditos firmados.
Quais são os critérios de admissão na escola? Os alunos são submetidos a algum tipo de pré-selecção para as aulas?
JC: Não. Os alunos não são submetidos a nenhum tipo de selecção. Quando se vêm inscrever, fazem-no numa área ou instrumento e, se sabem, se têm alguns conhecimentos, tentamos colocá-los no nível em que eles estão; se não têm conhecimentos o nível é, portanto, básico.
Pode explicar-nos como funciona esta instituição em termos de programação e avaliação ao longo do ano lectivo?
JC: Sim. Esta escola tem momentos de avaliação, como todas as outras. Aliás é obrigatório qualquer escola ter os momentos de avaliação. O nosso ensino também está dividido por níveis, consoante a aprendizagem e aquisição de conhecimentos dos alunos, havendo, em termos de formação musical, momentos de avaliação.
Pode mencionar alguns eventos de cariz social ou cultural em que se tenham envolvido?
JC: Sim. Normalmente nós fazemos sempre duas audições por ano: uma no Natal e outra no fim do ano lectivo. Também já fizemos parte do júri de um concurso de bandas de garagem que houve aqui na Malveira. Tentamos participar sempre que nos é feita a solicitação, quer em termos de câmara, quer em termos de outras instituições.
Como é gerir uma instituição desta envergadura?
JC: É simples e é complicado ao mesmo tempo. É simples porque, felizmente, temos um leque de alunos que nos permite estar descansados em relação à aquisição de conhecimentos porque eles evoluem, de facto, bastante bem. Também temos uma equipa de professores que dá as garantias necessárias para que eles evoluam, são todos professores mais que experimentados nestas coisas do ensino e em tocar, o que dá alguma garantia à escola e também, se calhar, daí um pouco o nosso sucesso como escola. É complicado no sentido de que são muitos alunos, muitos professores e, às vezes, há situações pontuais, como é óbvio, que acontecem em qualquer sítio, e que poderão ser mais delicadas, mas nunca nada de especial. Em relação aos alunos é sempre relativamente fácil.
Do leque dos vossos ex-alunos já algum obteve notoriedade?
JC: Sim. Temos alunos no Conservatório que foram nossos; temos outros que já estão formados em Musicologia, pela Universidade Nova; temos ex-alunos que tocam em vários grupos de referência...
Não conseguiria referir algum caso especial de maior notoriedade de que tivesse conhecimento?
JC: Não, ou melhor, em termos de visibilidade, às vezes a notoriedade… confunde-se a notoriedade com visibilidade. A visibilidade é aquilo que as pessoas vêem e a notoriedade é aquilo que os alunos são capazes de fazer. Em termos de visibilidade, não. Não, tirando alguns grupos que se formaram aqui na escola, através das classes de conjunto e que depois, inclusivamente, fazem os circuitos dos bares de Lisboa, pronto, e aí sim. Em termos de visibilidade, não. Não, porque não aparecem na comunicação social.
A escola tem alguns projectos futuros?
JC: Sim, uma escola deste género tem sempre perspectivas de futuro, nomeadamente, em relação a melhorarmos sempre aquilo que, eventualmente, for susceptível de melhorar. Em termos de instalações, tentamos melhorá-las sempre, para que possamos proporcionar a melhor qualidade de ensino aos nossos alunos.
Após esta agradável conversa, foi-nos, ainda, permitida a livre circulação pelas instalações da escola. As imagens falam por si…talvez seja também este um pouco do segredo do sucesso da EMM.
Andreia Marcelino, Diana Rolim, Inês Mesquita, Nuno Rodrigues e Soraia Lourenço
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